Como prevenir incêndios sem perder biodiversidade?

Fotografia — Paisagens corta-fogo e faixas vivas

FICHA DE BOAS PRÁTICAS

Como prevenir incêndios sem perder biodiversidade?

Paisagens corta-fogo e faixas vivas

Porque é importante?

Prevenir incêndios implica reduzir a continuidade da vegetação e gerir a biomassa. Mas isso não significa necessariamente cortar ou revolver tudo.

Os cortes rasos podem eliminar habitats e áreas importantes para a biodiversidade. Uma alternativa é pensar a prevenção à escala da paisagem: criar mosaicos de diferentes usos e tipos de vegetação, intervindo de forma seletiva onde é necessário e preservando ou favorecendo vegetação que contribua para uma paisagem mais resiliente.

É este equilíbrio que estamos também a procurar no Soito da Veredas da Estrela: gerir a vegetação para reduzir o risco de incêndio sem eliminar indiscriminadamente a regeneração natural e a biodiversidade que está a recuperar depois do fogo.

O que aprendemos

Criar faixas vivas

Árvores, arbustos, herbáceas e fungos podem contribuir para criar zonas mais frescas, húmidas e sombreadas. Favorecer a regeneração de folhosas autóctones e controlar espécies invasoras ou mais inflamáveis permite criar descontinuidades sem deixar necessariamente o solo despido.

Gerir de forma seletiva

Reduzir biomassa não significa eliminar toda a vegetação. No pós-incêndio, o mato pode ser gerido seletivamente, procurando reduzir o risco de um novo fogo sem comprometer desnecessariamente a regeneração.

Recuperar o pastoreio

O abandono da pecuária contribui para a acumulação de vegetação. Recuperar pastagens e o pastoreio pode ajudar a controlar a biomassa e, ao mesmo tempo, devolver uma função produtiva ao território.

Manter a agricultura na paisagem

Os terrenos agrícolas criam descontinuidades na vegetação que podem funcionar como barreiras à propagação do fogo. Bancos de terras podem ajudar a aproximar proprietários de terrenos abandonados e pessoas interessadas em cultivá-los.

Pensar à escala da paisagem

Uma faixa isolada não resolve tudo. É importante perceber por onde o fogo tende a chegar e articular faixas vivas, pastagens, terrenos agrícolas e outras áreas geridas numa paisagem em mosaico.

Gerir em conjunto

O território está dividido entre propriedades privadas, públicas e comunitárias. Criar uma paisagem mais resiliente exige acordos e colaboração entre diferentes proprietários e comunidades.

E no nosso Soito?

Depois dos incêndios, o Soito da Veredas da Estrela está a regenerar-se com força. O nosso desafio é reduzir o risco de um novo incêndio sem perder a diversidade que está a regressar.

Estamos, por isso, a experimentar uma gestão seletiva da vegetação: observar o que está a regenerar, decidir o que preservar e onde intervir e favorecer uma paisagem diversa, com diferentes espécies, estruturas e graus de cobertura. O objetivo não é “limpar” o terreno, mas encontrar um equilíbrio entre segurança, regeneração e biodiversidade.

Fotografia — Paisagens corta-fogo e faixas vivas

O essencial

Pensar a prevenção de incêndios à escala da paisagem.

Criar mosaicos que combinem vegetação, pastagens e terrenos agrícolas.

Favorecer folhosas autóctones e controlar espécies invasoras e mais inflamáveis.

Gerir a vegetação de forma seletiva, evitando cortes indiscriminados.

Recuperar o pastoreio e a agricultura onde fizer sentido.

Identificar os pontos mais vulneráveis à entrada e propagação do fogo.

Promover a gestão conjunta entre proprietários e comunidades.

Queres saber mais?

Descarrega a ficha completa em PDF.